segunda-feira, 28 de março de 2011

Hiroshima, Nagasaki, Chernobil, Fukushima? Não, Lucas do Rio Verde, MT, Brasil...


A pesquisadora que descobriu veneno no leite materno

A repórter Manuela Azenha esteve em Cuiabá, Mato Grosso, onde assistiu à defesa de tese da pesquisadora Danielly Palma. A ela coube pesquisar o impacto dos agrotóxicos em mães que estavam amamentando na cidade de Lucas do Rio Verde. A seguir, o relato:
Lucas do Rio Verde é um dos maiores produtores de grãos do Mato Grosso, estado vitrine do agronegócio no Brasil. Apesar de apresentar alto IDH (índice de desenvolvimento humano), a exposição de um morador a agrotóxicos no município durante um ano é de aproximadamente 136 litros por habitante, quase 45 vezes maior que a média nacional — de 3,66 litros.
Desde 2006, ano em que ocorreu um acidente por pulverização aérea que contaminou toda a cidade, Lucas do Rio Verde passou a fazer parte de um projeto de pesquisa coordenado pelo médico e doutor em toxicologia, Wanderlei Pignatti, em parceria com a Fiocruz. A pesquisa avaliou os resíduos de agrotóxicos em amostras de água de chuva, de poços artesianos, de sangue e urina humanos, de anfíbios, e do leite materno de 62 mães. A pesquisa referente às mães coube à mestranda da Universidade Federal do Mato Grosso, Danielly Palma.
A pesquisa revelou que 100% das amostras indicam a contaminação do leite por pelo menos um agrotóxico. Em todas as mães foram encontrados resíduos de DDE, um metabólico do DDT, agrotóxico proibido no Brasil há mais de dez anos. Dos resíduos encontrados, a maioria são organoclorados, substâncias de alta toxicidade, capacidade de dispersão e resistência tanto no ambiente quanto no corpo humano.
No dia seguinte à defesa de sua tese, Danielly concedeu uma entrevista ao Viomundo.
Viomundo – A sua pesquisa faz parte de um projeto maior?
Danielly Palma – Minha pesquisa foi um subprojeto de uma avaliação que foi realizada em Lucas do Rio Verde e eu fiquei responsável pelo indicador leite materno. Mas a pesquisa maior analisou o ar, água de chuva, sedimentos, água de poço artesiano, água superficial, sangue e urina humanos, alguns dados epidemiológicos, má formação em anfíbios.
Viomundo – E essas pesquisas começaram quando e por que?
Danielly Palma – Começamos em 2007. A minha parte foi no ano passado, de fevereiro a junho. Lucas do Rio Verde foi escolhido porque é um dos grandes municípios produtores matogrossenses, tanto de soja quanto de milho e, consequentemente, também é um dos maiores consumidores de agrotóxicos. Em 2006, quando houve um acidente com um desses aviões que fazem pulverização aérea em Lucas, o professor Pignati, que foi o coordenador regional do projeto, foi chamado para fazer uma perícia no local junto com outros professores aqui da Universidade Federal do Mato Grosso. Então, começaram a entrar em contato com o pessoal e viram a necessidade de desenvolver projetos para ver a que nível estava a contaminação do ambiente e da população de Lucas.
Viomundo – E qual é o nível de contaminação em que a população de Lucas se encontra hoje? O que sua pesquisa aponta?
Danielly Palma – Quanto ao leite materno, 100% das amostras indicaram contaminação por pelo menos um tipo de substância. O DDE, que é um metabólico do DDT, esteve presente em 100%, mas isso indica uma exposição passada porque o DDT não é utilizada desde 1998, quando teve seu uso proibido. Mas 44% das amostras indicaram o beta-endossulfam, que é um isômero do agrotóxico endossulfam, ainda hoje utilizado. Ele teve seu uso cassado, mas até 2013 tem que ir diminuindo, que é quando a proibição será definitiva. É preocupante, porque é um organoclorado que ainda está sendo utilizado e está sendo excretado no leite materno.
Viomundo – Foram essas duas substâncias as registradas?
Danielly Palma – Não, tem mais. Foi o DDE em 100% das mães [que estão amamentando]; beta-endossulfam  em 44%; deltametrina, que é um piretróide, em 37%; o aldrin em 32%; o alpha-endossulfam, que é outro isômero do endossulfam, em 32%; alpha-HCH, em 18% das mães,  o DDT em 13%; trifularina, que é um herbicida, em 11%; o lindano, em 6%.

Viomundo – E o que essas susbstâncias podem causar no corpo humano?
Danielly Palma – Todas essas substâncias tem o potencial de causar má formação fetal, indução ao aborto, desregulamento do sistema endócrino — que é o sistema que controla todos os hormônios do corpo — então pode induzir a vários distúrbios. Podem causar câncer, também. Esses são os piores problemas.
Viomundo – Você disse que as mães foram expostas há mais de dez anos. As substâncias permanecem no corpo por muito tempo?
Danielly Palma – Permanecem. No caso dos organoclorados, de todas as substâncias analisadas, o endossulfam é o único que ainda está sendo utilizado. Desde 1998 os organoclorados foram proibidos, a pesquisa foi realizada em 2010, e a gente encontrou níveis que podem ser considerados altos. Mesmo tendo sido uma exposição passada, como as substâncias ficam muito tempo no corpo, esses sintomas podem vir a longo prazo.
Viomundo – Durante a sua defesa de mestrado, em que essa pesquisa foi apresentada, os membros da banca ressaltaram o quanto você sofreu para realizar a pesquisa. Quais foram as maiores dificuldades?
Danielly Palma – A minha maior dificuldade foi em relação à validação do método. Porque, quando você vai pesquisar agrotóxicos, tem de ter uma precisão muito grande. Como são dez substâncias com características diferentes, quando acertava a validação para uma, não dava certo para outra. Então, para ter um método com precisão suficiente para a gente confiar nos resultados, para todas as substâncias, foi um trabalho que exigiu muita força de vontade e tempo. Foi praticamente um ano só para validar o método.
Viomundo – Essas mães que foram contaminadas exercem ou exerceram que tipo de atividade? Como elas foram expostas ao agrotóxico?
Danielly Palma – Das 62 mulheres que eu entrevistei, apenas uma declarou ter contato direto com o agrotóxico. Ela é engenheira agrônoma e é responsável por um armazém de grãos. Três mães residem na zona rural, trabalhando como domésticas nas casas dos donos das fazendas. É difícil dizer que quem está longe da lavoura não está exposto em Lucas do Rio Verde, pela localização da cidade, com as lavouras ao redor. Mas a maioria das entrevistadas trabalha no comércio, são professoras do município, algumas donas de casa, mas não são expostas ocupacionalmente. A questão é o ambiente do município.

Viomundo – Mas a contaminação se dá pelo ar, pela alimentação?
Danielly Palma -  A alimentação é uma das principais vias de exposição. Mas, por se tratar de clorados, que já tiveram seu uso proibido, então eu posso dizer que o ambiente é o que está expondo, porque também se acumulam no ambiente. No caso da deltametrina e do endossulfam, que ainda são utilizados, o uso atual deles é que está causando a contaminação. Mas, nos usos passados [dos agrotóxicos agora proibidos], a causa provavelmente foi a exposição à alimentação — na época em que eram utilizados — e o próprio meio ambiente contaminado.

Viomundo – Quais são as principais propriedades dessas substâncias encontradas?
Danielly Palma – Os organoclorados têm em comum entre si os átomos de cloro na sua estrutura, o que dá uma grande toxicidade a eles. Eles têm alta capacidade de se armazenar na gordura, alta pressão no vapor e o tempo de meia-vida deles é muito longo, por isso que para se degradar demora muito tempo. São altamente persistentes no ambiente, tanto nos sedimentos, solo, corpo humano, e têm a capacidade de se dispersar. Tanto que no Ártico, onde eles nunca foram aplicados, são encontrados resíduos de organoclorados.
Viomundo – O professor Pignati comentou que a Secretaria da Saúde dificultou um pouco a pesquisa de vocês, mas que vocês fizeram questão da participação do governo. Por que?
Danielly Palma – Nós vimos a importância da participação deles porque, quando a exposição da população está num nível elevado e está tendo uma incidência maior de certas doenças, é lá na ponta que isso vai estourar, é no PSF (Programa Saúde da Família). Então, a gente queria que a Secretaria da Saúde acompanhasse para ver em que nível de exposição essa população está e para que  tome medidas. Para que recebam essas pessoas com algum problema de saúde e saibam diagnosticar, saibam de onde está vindo e o porquê de tantas incidências de doenças no município.
Viomundo – Se a maioria dessas substâncias não está mais sendo utilizada, o que pode ser feito daqui para frente para diminuir o impacto delas sobre o ambiente e a saúde?
Danielly Palma – Em relação a essas substâncias que não estão sendo mais utilizadas, infelizmente, não temos mais nada a fazer. Já foram lançadas no ambiente e nos organismos das pessoas. A gente pode parar e pensar no modelo de desenvolvimento que está sendo posto, com esse alto consumo de agrotóxico e devemos tomar cuidado com as substâncias que ainda estão sendo utilizadas para tentar evitar um mal maior.
Viomundo – Como que o agrotóxico pode afetar o bebê?
Danielly Palma – Esses agrotóxicos são lipofílicos e se acumulam no tecido gorduroso, então ficam no organismo e passam para o sangue da mãe. Através da placenta, como há troca de sangue entre mãe e feto, acabam atingindo o feto. E alguns tem a capacidade de passar a barreira da placenta e atingir o feto. Durante a lactação, o agrotóxico acaba sendo excretado pelo leite humano.
Viomundo – Então, mesmo que não amamente o filho, ele pode nascer com resíduo de agrotóxico?
Danielly Palma – Sim, isso se a contaminação da mãe for muito elevada.
Viomundo – Foi o caso nas mães [pesquisadas] de Lucas do Rio Verde?
Danielly Palma – Alguns níveis [encontrados] consideramos altos, até porque o leite humano deveria ser isento de todas essas substâncias. Deveria ser o alimento mais puro do mundo. E a gente vê que isso não ocorre, tanto nos meus resultados quanto em trabalhos realizados no mundo inteiro que evidenciaram essa contaminação. A criança acaba sendo afetada desde a vida uterina e depois na amamentação é mais uma quantidade de agrotóxicos que ela vai receber. Mas é sempre bom lembrar do risco-benefício do aleitamento materno. Nunca se deve incentivar a mãe a parar de amamentar porque seu leite está contaminado. As vantagens do aleitamento materno são muito maiores do que os riscos da carga contaminante que o leite pode vir a ter.
Viomundo – Quais os riscos dessa contaminação?

Danielly Palma
 – Os riscos saberemos somente com um acompanhamento a longo prazo dessas crianças. O que pode acontecer são problemas no desenvolvimento cognitivo e, dependendo da carga que o bebê receba desde a gestação, pode causar má formação, que pode só ser percebida mais tarde.
Viomundo – Esse acompanhamento dos efeitos dos agrotóxicos no corpo humano já foi feito ou ainda é uma coisa a fazer?
Danielly Palma – Quanto ao sistema endócrino, existem evidências. Estudos comprovaram a interferência dos agrotóxicos. Quanto a câncer, má formação e ações teratogênicas (anomalias e malformações ligadas a uma perturbação do desenvolvimento embrionário ou fetal),  estudos realizados em animais apontam para uma possivel ação dos agrotóxicos nesse sentido. Mas no ser humano não tem como você testar uma única substância. Quando fazem pesquisas, sempre são encontradas mais de uma substância no organismo e, portanto, não se sabe se é uma ação conjunta dessas substâncias que elevou aquele efeito ou se foi a ação de uma substância apenas.

Viomundo – Os resultados da pesquisa são alarmantes?
Danielly Palma – Foram alarmantes, mas ao mesmo tempo já esperávamos por esse resultado, até porque já tínhamos em mãos resultados da parte ambiental. Vimos que a exposição da população estava muito alta. Com o ambiente contaminado daquela forma, já era esperado encontrar a contaminação do leite, uma vez que o ambiente influencia na contaminação humana também.

Viomundo  – O que será feito com esses resultados?


Danielly Palma
 – Os resultados já foram encaminhados às mães e, no início do projeto, assumimos o compromisso de, no final, nos reunirmos com elas e explicarmos os resultados. Esperamos que as autoridades do município e de todas as regiões produtoras acordem para o modelo de desenvolvimento que eles estão adotando, porque não adianta ter um IDH alto, ter boa educação e sistema de saúde, se a qualidade de vida em termos de exposição ambiental é péssima.

sábado, 26 de março de 2011

Quem nunca plagiou que atire a primeira pedra...

TRABALHOS COPIADOS

Na era da internet, professores se armam contra plágio feito por alunos

Publicada em 12/03/2011 às 20h27m
Marcelle Ribeiro
  • R1
  • R2
  • R3
  • R4
  • R5
  • MÉDIA: 4,0
SÃO PAULO - A facilidade que estudantes têm encontrado na rede mundial de computadores para plagiar textos alarma cada vez mais os professores, que buscam mecanismos para detectar trabalhos copiados da internet. Já há professores que começam a análise dos textos dos alunos com uma busca das frases na internet e até em softwares especiais.
Se sites como o Google ajudam os alunos a encontrar textos sobre o tema pesquisado, eles também auxiliam os professores a identificar o plágio. A professora de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP) Cláudia Pereira Vianna diz que busca no Google trechos de quase todos os trabalhos que recebe dos alunos:
- Eu começo lendo e já vou colocando (um trecho) entre aspas e fazendo uma busca no Google. E é impressionante como aparece. E nunca é de uma fonte única. Os alunos costumam copiar um pedaço de um autor, um pedaço de outro e colar no seu trabalho.
A rotina de correção de Cláudia é mantida apesar de os casos de cópia indevida em suas turmas terem caído desde que, há cerca de cinco anos, ela reprovou cerca de um terço de uma classe de 60 alunos por plágio. A professora passou a ter uma conversa sobre o assunto no início de cada semestre e a avisar que efetivamente lê todos os trabalhos.
Há menos de um mês, um caso no meio acadêmico chamou a atenção no Brasil. O envolvido foi um professor demitido da USP, autor de uma pesquisa considerada plágio de estudos de cientistas do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Na USP, programa compara resposta dos alunos
A preocupação de algumas universidades tem feito com que utilizem inclusive softwares específicos para detectar plágio. A Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas de São Paulo adotou, em 2009, um sistema em que os alunos mandam todos os trabalhos digitalizados para uma plataforma, que compara os conteúdos recebidos e checa se um aluno copiou o trabalho do outro. Depois, um software chamado Safe Asign analisa se os textos foram copiados de conteúdos disponíveis no banco de dados do Google do Microsoft Live Search.
(Leia a íntegra da matéria na versão digital do GLOBO - somente para assinantes)

domingo, 20 de março de 2011

E com vocês, Mrs. Obama...

      Leiam o discurso de Michelle Obama na íntegra e, por favor, tentem assistir ao vídeo (link no youtube) para também treinar o Inglês de vocês.  Reflitam. Ela não é somente uma mulher influente e inteligente, mas é também a primeira primeira-dama afro-descendente dos Estados Unidos.  Será que isso significa alguma coisa? Boa leitura e ótimo domingo a todos.


19/03/2011 14h19 - Atualizado em 19/03/2011 22h07

Leia e assista à íntegra do discurso de 




Michelle Obama


Primeira-dama dos EUA foi recebida em Brasília por estudantes e músicos.
Objetivo do encontro foi mostrar à Michelle um pouco da cultura brasileira.

Do G1, em São Paulo
A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, chegou às 11h35 deste sábado (19) no restaurante Oca da Tribo, em Brasília, junto com as filhas Sasha e Malia, para assistir às apresentações do grupo de capoeira Raízes do Brasil e do grupo de percussão Batalá, formado somente por mulheres.
Ao lado, assista ao vídeo traduzido. Abaixo, confira o discurso em inglês.
Leia o discurso de Michelle abaixo:
"Olá a todos, bom dia. 'Bom dia' é tudo que sei falar em português. Muito obrigada pela calorosa recepção. Gostaria de agradecer à Raquel por essa apresentação maravilhosa. Ela é, sem dúvida, motivo de orgulho para os jovens deste país, para o mundo. Vamos aplaudi-la novamente, por favor. Eu também gostaria de agradecer Tânia Cooper Patriota que está aqui conosco, assim como Gisella por estar hoje aqui conosco atuando como mestre de cerimônia. Não vou me estender muito porque quero ver tudo que prepararam para nos apresentar. Quero que minha mãe e minhas filhas e a madrinha das minhas filhas vejam tudo que este país tem a oferecer.
O presidente Obama e eu temos muito orgulho e estamos muito honrados de estar aqui no Brasil reafirmando a amizade e a parceria entre as nossas duas nações. Estamos especialmente entusiasmados com a presença da nossa família aqui conosco, uma oportunidade rara de viajarmos todos juntos. Geralmente quando o presidente e eu viajamos nossas filhas estão em aulas, onde deveriam estar agora, mas elas estão em férias, então puderam vir e estão muito animadas. É uma grande honra e um privilégio estar com nossas filhas conosco e vê-las bem recebidas por vocês.
Nos últimos anos, meu marido e eu tivemos a sorte de poder viajar o mundo todo e conhecer pessoas impressionantes na nossa jornada, e para onde quer que viajemos, uma das nossas atividades favoritas é visitar jovens como vocês. Nós dois nos comprometemos a incluir isso em nossas agendas extremamente atribuladas. Os EUA e o Brasil são duas das maiores economias e democracias do mundo ocidental. Nós sempre acreditamos que o futuro das nossas duas nações depende não apenas das relações entre presidentes e primeiros-ministros, mas depende também das relações entre os nossos povos, sobretudo entre nossos jovens, de onde se origina a comunicação principal que se dará com a ajuda de todos vocês.
Por isso sempre acreditei que é importante que jovens em todo mundo possam desenvolver esses laços de amizade em todo o mundo, a aprender diferentes idiomas, não sejam como eu. Eu só sei falar “borboleta” em uma língua. Malia e Sasha, vocês têm que aprender a falar “borboleta” em pelo menos 20 línguas. Mas para aprender diferentes línguas e saber o que o mundo tem a oferecer é fundamental sair da zona de conforto e viajar pelo mundo e, sempre que posso, é isso que tenho incentivado os americanos a fazer, a estudar no exterior, aproveitar toda e qualquer oportunidade de viajar. Nem todos nos EUA podem pagar por uma viagem como essa, mas eu tento fazer com que se enxerguem como cidadãos do mundo.
Por isso tenho tanto prazer em ver que tantos de vocês já participaram de programas de intercâmbio com os EUA. Muitos de vocês estão pensando em seguir esse caminho no futuro e eu espero que consigam. No ano passado, na Casa Branca, tive a oportunidade de receber um grupo de brasileiros que estavam participando do programa de Jovens Embaixadores do Departamento de Estado. Sei que alguns deles estão aqui hoje, estou reconhecendo alguns rostos, não me lembro de todos os nomes, mas lembro que batemos um papo muito bom, todos vocês são absolutamente brilhantes, nada tímidos, o que foi ótimo, ninguém estava tímido. Foi maravilhoso recebê-los na Casa Branca, compartilhando suas histórias e ideias, foi de fato um presente maravilhoso recebê-los. Eles foram até meu bairro e eu prometi que viria para o seu bairro, então aqui estou eu, no seu bairro, conforme prometido.
Esta também é uma visita especial para mim porque há não muito tempo atrás eu estava aí, ocupando o lugar que estão agora, não aqui no Brasil, mas em algum outro lugar. Eu já fui jovem há muito tempo e, como muitos de vocês, minha família não era rica. Meus pais são umas das pessoas mais inteligentes que eu conheço, mas não conseguiram concluir a faculdade, não tiveram as oportunidades que eu tive. Não tínhamos muito dinheiro e morávamos num apartamento muito pequeno. É incrível lembrar o quanto aquele apartamento era pequeno. Meu irmão e eu dormíamos no mesmo quarto. Mas o que nunca nos faltou, sem dúvida, foi muito amor.
Sempre fomos cercamos por muito amor, tanto meu irmão como eu, cercados por pessoas que nos amavam profundamente, que nos divertiam, e que nos lembravam o quanto éramos inteligentes e especiais e, acima de tudo, que nos ensinaram que a coisa mais importante era ter uma boa educação. Eu sabia que tinha que estudar muito, sabia que tinha que trabalhar muito, que tinha que permanecer focada, como tantos de vocês são focados, para conseguir alcançar meus sonhos. Não havia nada na minha vida que garantisse que um dia eu viria a ser a primeira dama dos EUA ou que eu estaria aqui hoje falando com vocês.
Cometi erros ao longo do caminho, mas sempre que cometia um erro eu me levantava, sacudia a poeira e seguia em frente. E o presidente Obama, a história do presidente Obama, é muito semelhante a essa, parecida com a de vocês e com a minha. Ele também cresceu sem ter muito dinheiro, não era o melhor aluno da classe. Hoje ele é muito sabido, mas demorou muito tempo para chegar lá.
Aprendi muito tempo atrás que não importa quem você é ou de onde você vem, desde que esteja disposto a sonhar grandes sonhos e de se esforçar ao máximo para alcançá-los e aceitar todos os riscos ao longo do caminho. O importante é saber que tudo é possível. Quero que olhem para mim e vejam que tudo é possível, por isso estou aqui, por isso estou dirigindo minha palavra a vocês. Não há nenhuma razão para que vocês não possam estar aqui no meu lugar no futuro.
Espero que todos vocês continuem se esforçando, que todos vocês continuem apoiando um ao outro, que continuem a trabalhar como uma comunidade, apoiando-se mutuamente, que vocês possam incentivar uns aos outros, que sejam a base uns dos outros, e à medida que caminham, olhem para trás e estendam a mão para alguém e incentive essa pessoa e ajudem outros a chegar lá. É isso que acho que eu estou fazendo, sinto que minha obrigação não é apenas falar aqui com vocês, mas inspirar outros jovens também.
Quero ver tudo que vocês têm a compartilhar conosco, o mundo é nosso cenário. Precisamos de jovens inteligentes e energéticos que vão consertar os problemas do mundo. Vocês estão mais do que prontos, mais do que preparados. Estou muito feliz e muito empolgada com a perspectiva de tudo que vocês mostrarão ao mundo no futuro. Muito obrigada por estarem aqui, muito obrigada por compartilharem tantas coisas e vamos ver tudo que têm a mostrar. Vamos ver danças, o que vamos ver agora?
Muito obrigada, muito obrigada mesmo!"