sábado, 13 de agosto de 2011

Acesso à correção


10/08/2011 16h51 - Atualizado em 10/08/2011 19h34

Acordo prevê acesso de candidato à correção do Enem a partir de 2012

Termo foi assinado pelo Ministério Público Federal e pelo Inep. 
Estudantes não poderão apresentar recursos contra as correções.

Fernanda NogueiraDo G1, em São Paulo
Candidatos entram para fazer o Enem em 2010 em São Paulo (Foto: Daigo Oliva/G1)Candidatos entram em faculdade para fazer o Enem
em 2010 em São Paulo (Foto: Daigo Oliva/G1)
O Ministério Público Federal no Distrito Federal e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) assinaram, nesta quarta-feira (10), um acordo que garante aos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) o direito de ter acesso à correção (vistas) de provas a partir de 2012. Atualmente, este acesso não é permitido segundo o edital do Enem.
De acordo com o termo de compromisso de ajustamento de conduta, a medida terá caráter meramente pedagógico, ou seja, os candidatos não poderão apresentar recursos contra as correções. “O acesso às provas servirá apenas para o estudante conhecer o próprio desempenho, identificando pontos fracos e fortes na sua estratégia de estudo”, explica o procurador da República Peterson de Paula Pereira, signatário do acordo.
Para ele, a metodologia de correção adotada pelo Inep em relação às provas do Enem é segura e suficiente para identificar falhas e evitar eventuais prejuízo aos candidatos, sem necessidade de interposição de recurso pelos mesmos. O acordo não especifica de que forma será feito este acesso à correção das provas.
De acordo com o sistema, quando os dois primeiros corretores da redação chegam a uma nota muito discrepante sobre o mesmo texto, um terceiro é chamado a opinar. “O mecanismo prevê a revisão automática da nota do aluno quando há indícios de algum erro. Isso garante tratamento isonômico e impessoal a todos os participantes”, afirma Pereira.
Além disso, a própria dimensão do Enem inviabiliza a possibilidade de apresentação de recurso pelos candidatos, defende o procurador. “Seria muito difícil analisar todos os recursos em prazo razoável, considerando que são milhões de inscritos todos os anos. O exame acabaria deixando de ser utilizado como forma de ingresso nas universidades, o que traz prejuízos muito mais graves aos estudantes”, conclui o procurador.
Maranhão
O procurador Israel Gonçalves Santos Silva, do Ministério Público Federal do Maranhão, responsável pela primeira ação contra o Inep sobre vistas de prova e recurso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), disse não saber do acordo sobre o caso. Afirmou ainda que um acordo sobre a questão só valerá se for aceito por ele. “Em tese, não vale nada esse acordo”, disse Silva.
Em julho, uma liminar da Justiça sobre a ação movida pelo MPF do Maranhão atendeu parcialmente o pedido. Obrigou o Inep a oferecer a possibilidade de vista de prova, mas não de recurso. O procurador aguarda sentença sobre o caso.
O procurador Peterson, afirma que o acordo firmado com o Inep tem validade e ressalva que "o Inep vai fazer aquilo que se comprometeu com o MPF, mas isso não retira a força de decisão judicial em ação civil pública”.
 

E a luta continua


Lei Maria da Penha completa 5 anosPDFImprimirE-mail
Criada para tornar mais rigorosa a pena contra quem agride mulheres, a Lei Maria da Penha completou neste domingo (7) cinco anos em vigor.
Em muitas decisões, juízes chegaram a afirmar que a norma fere a Constituição e a igualdade entre homens e mulheres. Desde 2007, tramita no STF um pedido feito pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que a Corte declare a lei constitucional. A ação foi proposta pelo ex-presidente Lula para evitar brechas e uniformizar o entendimento da Justiça sobre a lei.
A ministra da Secretaria das Mulheres, Iriny Lopes, afirmou em entrevista ao G1 que a expectativa do governo é “positiva” em relação à manifestação da mais alta Corte brasileira. “É um presente que o STF dará não só às mulheres, mas à sociedade. É responsabilidade passar paz e confiança para essas mulheres que são agredidas perante os filhos. Nossa expectativa é positiva porque um agressor impetrou um habeas corpus no STF, e o voto do relator já indicava que não havia inconstitucionalidade na lei”, afirmou a ministra.


O serviço 180, usado para denúncias contra agressores, registrou desde abril de 2006, quando foi criado, até junho deste ano, 1,952 milhão de atendimentos. Dos registros, 434.734 (22,3%) registros são referentes à Lei Maria da Penha. Neste semestre, o 180 contabilizou 293.708 atendimentos- sendo 30,7 mil relatos de violência.
O balanço registrou que 59% das vítimas declararam não depender financeiramente do agressor e, em 72% das situações, os agressores são os maridos das vítimas. Os números mostram, ainda que 65% dos filhos presenciam a violência e 20% sofrem violência junto com a mãe.
O estado de São Paulo lidera o ranking de procuras pelo 180 com 44, 4 mil atendimentos, seguido pela Bahia com 32 mil. Em terceiro lugar aparece Minas Gerais com 23,4 dos registros.
Desde a criação da Maria da Penha, 110,9 mil processos de 331,7 mil foram sentenciados. Foram decretadas 1.577 prisões preventivas, 9.715 prisões em flagrante e 120.99 audiências designadas.
Do restante, foram 93.194 medidas protetivas, 52.244 inquéritos policiais e 18.769 ações penais. Os dados são do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), divulgados em março deste ano. (G1)
 
A Lei Maria da Penha permite que o processo contra o agressor seja extinto se a mulher retirar queixa. Mas há pedidos para que o Supremo interprete a lei de forma a não permitir que a queixa seja desfeita e, com isso, garanta “resposta a um quadro de impunidade de violência doméstica contra a mulher”. As duas ações são de relatoria do ministro Marco Aurélio Mello.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

De olho no lance

sábado, 12 de março de 2011

Estrangeiros 'estudam' Brasil para aprender a ganhar dinheiro no país.

Com crise na Europa, empresário deixou Itália atrás do mercado brasileiro.
Em 2010, investimento estrangeiro no Brasil foi o maior desde 1947.

Enrico Soffi, 45 anos, deixou a Itália em abril do ano passado e veio ao Brasil focado em construir imóveis de até R$ 270 mil, voltados para a classe média. Investiu R$ 1 milhão em 2010 e prevê ampliar em pelo menos 50% os aportes este ano. ”Queremos aproveitar a falta de habitação que têm as classe C e B, que estão crescendo e não têm a capacidade de comprar uma casa de R$ 600 mil”, diz Soffi, que vê um momento de expansão “extraordinária” no país.
O caso de Enrico não é isolado: de acordo com dados do Banco Central, mais de US$ 15 bilhões de dinheiro estrangeiro entraram na economia do país só em dezembro, por meio de investimento direto na produção. No ano, o montante chegou a US$ 48,4 bilhões, maior valor desde 1947, em meio a um cenário em que a economia no Brasil está aquecida e que países ricos da Europa lutam para superar as sequelas deixadas pela crise financeira internacional.
Para não se perder em um mercado que difere em idioma, sistema tributário e preferências culturais, Enrico buscou a ajuda de uma consultoria especializada e se saiu bem. Desfecho diferente do que teve a empresária também italiana Sônia Ferrari, que demorou mais de um ano para conseguir tirar um visto permanente para atuar no Brasil como investidora: enfrentou muita fila e burocracia até entender o que estava errado com a sua documentação.
"Demorei um tempo pra entender que estive com problema, nada se faz sem experiência. Vi que estava mal assessorada e por isso depois fui procurar e testar mais escritorios", diz ela que, depois que conseguiu a assessoria correta, obteve o visto em menos de dois meses. Mesmo assim, acredita que o potencial de ganhos no Brasil compensa os obstáculos.
"Com certeza vale a pena. Para qualquer empresa de grande porte seria um erro fatal não conquistar o seu espaco aqui hoje, e preparar o seu futuro para tempos ainda melhores daqueles que já estamos vivendo aqui no Brasil", analisa. "Sei de muitas empresas americanas e europeias que já estavam aqui antes da crise e que os lucros daqui ajudaram seus balanços de forma sensível", diz.
Hoje, ela abriu uma empresa para orientar estrangeiros na mesma situação de "desamparo" inicial. Mais que isso: representa marcas europeias que precisam de contato, distribuição, compradores e parceiros para entrar com suas operações no Brasil. O foco principal são as marcas de sapatos, bolsas e acessórios, em projetos que somarão mais de R$ 15 milhões só no ano da implementação.
"É preciso entender a cultura do país e as suas peculiaridades, fazendo isso com profissionais e assessores de comprovada experiência. Uma empresa que queira entrar no país e não ter problemas não pode subestimar esse aspecto", ensina Sônia.
Na consultoria KPMG, a demanda de estrangeiros por informação sobre o Brasil cresceu tanto que a empresa criou uma unidade específica para esse tipo de atendimento. A KPMG Global Business, criada em novembro, tem o objetivo de dar ao estrangeiro um "intensivão" sobre o país.
"Pegamos representantes de diversos setores para dar um 'banho' de Brasil no investidor; organizamos estrategicamente atendimentos que já aconteciam de forma separada. A gente acha que isso é o que o governo o deveria fazer também: centralizar as informações para recepcionar esse público", diz Marienne Coutinho, uma das líderes do projeto.
Augusto Salles, outro sócio líder do Global Business, diz que a procura estrangeira aumentou de duas consultas por semana para duas por dia. Origens variadas – EUA, Inglaterra, China, Índia e Japão aparecem entre os interessados - e dúvidas de todo tipo. Desde chineses projetando investimentos de bilhões, até  empresas americanas que cobiçam o mercado de caixas d'água no Brasil. "Tem diferentes níveis de conhecimento. Uns já conhecem as peculiaridades, o tamanho, a economia emergente. Outros têm uma visão ingênua, tipo: 'eu tenho uma caixa d'água matadora que se chegar no Brasil vai arrasar. Vocês usam caixa d'água no Brasil'?", conta Salles.
Grande parte do interesse desse dinheiro internacional pelo país vem do grande potencial de crescimento do consumo brasileiro. Levantamento feito pela consultoria KPMG com investidores potenciais de diversos países do mundo aponta que, dos 500 entevistados, 66% afirmaram que pensam em investir no Brasil para aumentar a base de consumidores por meio dos mercados locais e regionais.
Além disso, 41% já investem no Brasil e pretendem expandir suas operações; outros 10% também já são investidores, mas não têm planos de expansão. Questionados sobre qual é o atual ou pretendido modelo de negócios da sua empresa para o Brasil, 53% responderam investimento estrangeiro direto.
Jenesi Figueiredo  também orienta estangeiros na FK Consultoria e diz que uma das razões para tanta atratividade brasileira é a situação ruim da Europa, abatida pela crise.
"Estamos mais bonitinhos porque eles estão feios, então parece que nós somos a virgem linda. Eu acho que o Brasil está normal", avalia. Em seu escritório, que teve expansão de 20% no movimento no ano passado, atende-se em italiano, inglês, sueco e até árabe.
"A imigração tem regras, e tem gente que não acredita nisso até ser deportado. Já temos muitos italianos, espanhóis e alemães vindo em função das Olimpíadas e da Copa do Mundo", diz.
O engenheiro francês Vincent Lefeuvre, 40 anos, comemora o fato de ter se interessado em investir no Brasil desde antes de 2002, ano em que se casou com uma carioca e mudou-se definitivamente para cá.
"Cheguei antes da crise na Europa, mas foi durante a crise que eu percebi que eu tive razão de investir no Brasil. Agora eu tenho na frente dos outros uma vantagem de cinco anos. E isso vale ouro no mundo dos negócios", diz o dono da Tecohnopolis Consulting, especializada em estruturar e implementar fábricas e parcerias entre empresas estrangeiras e brasileiras no setor industrial. A previsão é de que em 2011 a empresa invista entre R$ 200 mil e R$ 400 mil em escritórios e contratação de pessoal qualificado na area da gestão de projetos e contratos.
Na opinião do francês, o caminho para evitar problemas por falta de informação é mesmo buscar ajuda privada. "É mais uma pista de obstáculos permanentes. Os problemas não impedem a empresa de funcionar, mas tem um custo de tempo e de energia muito alto", diz ele, que garante já estar habituado à lentidão do processo . "A burocracia é terrível. Mas não é pior que na França".
FONTE: Portal G1.

Alunos de Harvard vêm ao Brasil para aprender português


De olho no futuro, os universitários de uma das instituições mais respeitadas do mundo, desembarcam aqui para conhecer melhor o país.


Um grupo de estrangeiros veio ao Brasil para um programa disputadíssimo de oito semanas. Eles estudam em Harvard, a universidade mais antiga dos Estados Unidos e uma das melhores do mundo, onde a professora Clemence dá aulas há quase dez anos.
“No passado eu ia às aulas de espanhol, cursos de espanhol mais avançados, falava bem devagarzinho procurando as pessoas para fazer português, agora eu não preciso mais fazer isso, eu tenho pessoas da escola de direito, e da escola de economia me pedindo, por favor, uma vaga no curso de português”, diz Clemence Marie Joue-Pastré, professora de português.
“Decidi estudar português porque eu acho que Brasil vai ser mais importante no futuro, nos negócios, na política, todas as coisas”, afirma Yijean Chow, estudante de Química e Física.
Foi-se o tempo em que o português era só uma língua exótica, hoje ele é um diferencial importante para conseguir um bom emprego em países desenvolvidos.
Estudantes dos Estados Unidos estão em São Paulo se preparando para no futuro trabalhar com o Brasil, um país em destaque no cenário econômico mundial. “Copa do Mundo, Olimpíadas, têm muitas coisas para o Brasil, a classe média está crescendo muito, a economia crescendo muito, então, acho que é o momento do Brasil agora”, comenta Arturo Elizondo, estudante de ciências políticas.
Em Harvard o número de alunos matriculados em português subiu 150% em 10 anos. Nos últimos quatro anos, outras três universidades de Boston, onde está Harvard começaram a oferecer cursos de português. “Eles também querem aprender sobre o Brasil, eles estão dispostos a conhecer a cultura, a interagir e a se integrar com outros universitários”, diz Marina de Moura, coordenadora do grupo.
Os estudantes são de vários países, como Estados Unidos, Inglaterra, México, Bolívia e Zimbábue. Têm entre18 e 22 anos, e estão matriculados em cursos bem distintos, como Economia, História, Línguas e Religião, mas compartilham o interesse pelo Brasil.
“Me sinto sempre bem vindo, me sinto como se as pessoas estivessem contentes, que estrangeiros estão aqui, que eu estou interessado na cultura, que as pessoas aqui respeitam esse interesse”, conclui Benjamin Wilcox, estudante de história.