quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Catastrofismo teórico

A política de cotas ganhou mais uma

  • A diferença entre a nota do cotista favorecido e a do candidato que perde a vaga é menor do que se supunha
ARTIGO - ELIO GASPARI 

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Na essência da política de cotas há um aspecto que exaspera seus adversários: um estudante que vai para o vestibular sem qualquer incentivo de ações afirmativas tira uma nota maior que o cotista e perde a vaga na universidade pública. Quem combate esse conceito em termos absolutos é contra a existência das cotas, cuja legalidade foi atestada pela unanimidade do Supremo Tribunal e aprovada pelo Congresso Nacional (com um só discurso contra, no Senado). É direito de cada um ficar na sua posição, minoritária também nas pesquisas de opinião.
Uma coisa é defender as cotas quando a distância é pequena, bem outra seria admitir que um estudante que faz 700 pontos na prova deve perder a vaga para outro que conseguiu apenas 400. O que é diferença pequena? Sabe-se lá, mas 300 pontos seria um absurdo.
Os adversários das cotas previam o fim do mundo se elas entrassem em vigor. Os cotistas não acompanhariam os cursos, degradariam os curriculos e fugiriam das universidades. Puro catastrofismo teórico. Passaram-se dez anos, Ícaro Luís Vidal, o primeiro cotista negro da Faculdade de Medicina da Federal da Bahia, formou-se no ano passado e nada disso aconteceu. Havia ainda também as almas apocalípticas: as cotas estimulariam o ódio racial. Esse estava só na cabeça de alguns críticos, herdeiros de um pensamento que, no século XIX, temia o caos social como consequência da Abolição.
Mesmo assim, restava a distância entre o beneficiado e o barrado. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais divulgou uma pesquisa que foi buscar esses números no banco de dados do Sistema de Seleção Unificada. Neste ano as cotas beneficiaram 36 mil estudantes. Pode-se estimar que em 95% dos casos a distância entre a pior nota do cotista admitido e a maior nota do barrado está em torno de 100 pontos. Em 32 cursos de medicina (repetindo, medicina) a distância foi de 25,9 pontos (787,56 contra 761,67 dos cotistas).
O Inep listou as vinte faculdades onde ocorreram as maiores distâncias. Num caso extremo deu-se uma variação de 272 pontos e beneficiou uns poucos cotistas indigenas no curso de História da Federal do Maranhão. O segundo colocado foi o curso de Engenharia Elétrica da Federal do Paraná, com 181 pontos de diferença. A distância diminui, até que no 20º caso, do curso de Ciências Agrícolas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Federal do Rio Grande do Sul, ela ficou em 128 pontos.
Pesquisas futuras explicarão como funcionava esse gargalo, pois, se a distância girava em torno de 100 pontos, os candidatos negros e pobres chegavam à pequena área, mas não conseguiam marcar o gol. É possível que a simples discussão das ações afirmativas tenha elevado a autoestima de jovens que não entravam no jogo porque achavam que universidade pública não era coisa para eles. Neste ano 864.830 candidatos (44,35%) buscaram o amparo das cotas.
A política de cotas ocupou 12,5% das vagas. Num chute, pode-se supor que estejam em torno de mil os cotistas que conseguiram entrar para a universidade com mais de cem pontos abaixo do barrado, o que vem a ser um resultado surpreendente e razoável. O fim do mundo era coisa para inglês ver.
Elio Gaspari é jornalista

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/a-politica-de-cotas-ganhou-mais-uma-7679048#ixzz2M8N9lHSY
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Pobreza extrema acaba em 2028


27/02/2013 - 10h13

Bono diz que pobreza extrema acaba em 2028 e cita Brasil como exemplo

FERNANDA EZABELLA
ENVIADA ESPECIAL A LONG BEACH, CALIFÓRNIA
Bono, líder da banda U2, deixou de lado a persona astro do rock para falar sobre pobreza extrema, que, segundo ele, deve chegar ao fim nos próximos 15 anos. Para o músico, Brasil, Gana e Tanzânia lideram a corrida pela solução do problema.
Educador indiano ganha prêmio do TED de US$ 1 milhão
"Hoje quero apenas cantar os fatos. [O índice mundial de] pobreza extrema foi reduzido pela metade. E, se continuarmos nesta tendência, será zero em 2028", disse Bono para a plateia do TED, um evento em Long Beach que reúne especialistas de tecnologia, entretenimento e design para palestras de cerca de 15 minutos.
"E 2028 está quase aí, só mais umas três turnês de despedida dos Rolling Stones."
Segundo Bono e sua organização One.org, o número de pessoas nessa situação (ou seja, com até R$ 2,50 por dia) foi de 43% em 1990 para 21% em 2010. O índice de mortalidade de crianças de até cinco anos também diminuiu bastante (menos 7.256 crianças morrem por dia).
Win McNamee- 27. nov.11/Getty Images/AFP
O vocalista do U2, Bono, que elogiou o Brasil em palestra do TED, evento de tecnologia realizado nos EUA
O vocalista do U2, Bono, que elogiou o Brasil em palestra do TED, evento de tecnologia realizado nos EUA
"Não é algo Poliana, sem noção de um roqueiro. É real", ele continuou nos bastidores, ao conversar com jornalistas. "Mas o índice ainda é alto, há muito trabalho a ser feito. A pobreza não vai acabar."
O aumento da transparência financeira de governos e queda no preço dos remédios de Aids são fatores que ajudaram no combate, além do acesso à tecnologia. Corrupção continua sendo a principal trava, mas a "vacina é a transparência", falou Bono.
O cantor foi premiado em 2005 com um TED Prise, prêmio de R$ 200 mil que o ajudou a fundar a organização One para combate à pobreza.
Ele citou o Brasil como exemplo e elogiou o ex-presidente Lula e sua "protegè" Dilma.
Ao ser questionado sobre corrupção no Brasil, o presidente do One, Michael Elliott, afirmou: "Vamos chegar mais rápido ao índice zero se lutarmos contra corrupção, mesmo em países que estão indo bem", disse.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Você quer ser bacharel em Direito?


MEC quer menos cursos de direito no país

O Ministério da Educação quer restringir a criação de cursos de direito no país e estuda adotar novas regras de autorização.

Estão em estudo duas possibilidades: lançar editais definindo os municípios onde poderão ser criadas faculdades de direito, a exemplo do que o ministério já anunciou que fará na área de medicina, ou acrescentar critérios que levem em conta o grau de saturação do mercado de trabalho para bacharéis em direito, na análise de pedidos de abertura de cursos.
A informação foi revelada pela repórter Flávia Foreque.
O MEC e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) assinarão termo de cooperação no próximo dia 11 de março para começar a formular as novas regras, que valerão para universidades privadas e federais.

- Há um número exagerado de cursos de direito e um estelionato educacional em nosso país. É vendido um sonho que acaba virando pesadelo, que é o bacharelado em direito feito sem a devida qualificação - diz o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado.

De acordo com a entidade, o Brasil conta atualmente com 754,9 mil advogados na ativa.

Para o presidente do Conselho Nacional de Educação, José Fernandes de Lima, o aumento do número de universitários é uma das metas do Brasil nesta década, já que o país tem proporcionalmente menos graduados do que vizinhos como Argentina e Chile.

Lima afirma que é necessário aprofundar a análise dos dados disponíveis, identificando com exatidão se há espaço ou não para novos bacharéis.

- Nem todas as pessosas que são bacharéis em direito advogam. Muitas fazem concurso, trabalham no serviço público. As instituições de ensino querem abrir os cursos porque têm clientela. A discussão é mais ampla do que pode parecer - diz Lima

Redações nota 1000!


Enem 2012: Veja exemplos de redações nota 1000

  • Apenas 1,1% dos candidatos teve pontuação acima de 900
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Gráfico mostra distribuição de notas por participantes Foto: Reprodução / Internet
Gráfico mostra distribuição de notas por participantes Reprodução / Internet
RIO - Apenas 1,1% dos candidatos que fizeram o Enem 2012 obteve nota acima de 900 na redação. A faixa de notas que concentra o maior número de participantes é a que vai de 400 a 499, com 25,4% das pessoas que fizeram a prova. Os dados foram disponibilizados nesta quarta-feira (6) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), junto com o espelho de correção dos textos produzidos.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/vestibular/enem-2012-veja-exemplos-de-redacoes-nota-1000-7506245#ixzz2M2ejEEyE
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Pílula do dia seguinte

nternacional

Deutsche Welle

Progressista

22.02.2013 11:16

Igreja Católica alemã aprova pílula do dia seguinte para vítimas de estupro

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A Igreja Católica alemã decidiu autorizar a distribuição da chamada pílula do dia seguinte nos hospitais que administra, na condição de contraceptivo de emergência, a mulheres vítimas de estupro.
Foto: Farm_Studio_Field/Flickr
Decisão ocorreu após dois hospitais católicos terem recusado medicamento a paciente que havia sido violentada. Foto: Farm_Studio_Field/Flickr
A decisão, tomada na quinta-feira 21, durante a Assembleia-Geral de bispos em Trier, é motivada pela polêmica criada no final de janeiro, quando dois hospitais católicos da cidade de Colônia se recusaram a ministrar o medicamento a uma vítima de estupro.
Após o caso, que provocou um amplo debate na Alemanha, o arcebispo de Colônia, cardeal Joachim Meisner, autorizou a utilização da pílula nos hospitais católicos de sua arquidiocese, forçando a Igreja a esclarecer sua posição quanto ao tema.

Quem é Joseph Ratzinger?

Internacional

Carta Capital

Vaticano

11.02.2013 12:43

“Bento XVI nunca foi o papa da mudança”

Quando Joseph Ratzinger foi proclamado papa Bento XVI, em 2005, estavam evidentes algumas limitações que marcariam a sua missão à frente do Vaticano, entre elas a idade avançada (tinha mais de 75 anos, limite para um bispo se aposentar), a indisposição a grandes viagens e a ausência de apelo midiático sobre as multidões que marcaram o seu antecessor. Estava evidente, sobretudo, que seu pontificado seria de transição, e não de mudanças bruscas, já que durante anos ele foi o mentor intelectual de João Paulo II.
O Papa Bento XVI e o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone. Foto: AFP
O Papa Bento XVI e o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone. Foto: AFP
A análise é do jornalista Leandro Beguoci, um dos poucos repórteres brasileiros a acompanhar Bento XVI no voo que trouxe o pontífice ao País em 2007. Durante a cobertura, para a Folha de S.Paulo, Beguoci entrou em contato com estudiosos, bispos e interlocutores do Vaticano e se transformou em um dos poucos setoristas em igreja da imprensa nacional. Foi ele, por exemplo, quem descobriu que o cardeal dom Odillo Scherer seria nomeado arcebispo metropolitano de São Paulo naquele ano.
Beguoci pede cautela ao analisar o legado do papa que anunciou a renúncia na segunda-feira 11. Ele lembra que, embora não se esperasse rupturas na condução da Igreja, Bento 16 foi menos conservador que o antecessor em algumas questões pontuais, como, por exemplo, quando nomeou um jesuíta como porta-voz do Vaticano (papel antes delegado a um membro da Opus Dei). Enfrentou também a questão da pedofilia de forma mais clara.
Para o jornalista, o papel de Joseph Ratzinger no pontificado anterior não permite que seja feita uma análise de sua missão à frente da Igreja apenas levando em consideração os últimos sete anos.

O anúncio da renúncia

nternacional

Gabriel Bonis

Igreja Católica

11.02.2013 14:47

Pressões políticas podem ter influenciado Bento XVI

O anúncio da renúncia do Papa Bento XVI nesta segunda-feira 11 causou surpresa, mas não pode ser considerado um movimento tão inesperado. Em meio a um mandato marcado por tensões com outros líderes religiosos, novos casos de pedofilia envolvendo clérigos e a demanda por uma Igreja Católica mais aberta, Joseph Ratzinger vivia sob constante pressão. Algo que tornou-se mais evidente em delicados escândalos, como o do mordomo mandado para a prisão por revelar documentos que deixavam claro o jogo de poder nos corredores do Vaticano.
Papa Bento XVI no dia 25 de novembro de 2012 na Basílica de São Pedro. Foto: ©AFP / Vincenzo Pinto
Papa Bento XVI no dia 25 de novembro de 2012 na Basílica de São Pedro. Foto: ©AFP / Vincenzo Pinto
Em uma carta, Ratzinger afirma ter refletido repetidamente até concluir não ter mais “forças, devido à idade avançada (…) para exercer adequadamente o ministério petrino”. Embora isso não seja novidade, uma vez que ele assumiu o posto aos 77 anos, em 19 de Abril de 2005, o pontífice não mencionou nos últimos anos nenhuma doença grave que poderia afasta-lo de suas funções. Realizou recentemente, inclusive, um longo discurso a cardeais sem grandes problemas.
É preciso, então, avaliar as forças políticas do Vaticano, um monastério absolutista sobre o qual o Papa tem mandato vitalício e controla sozinho os poderes Judiciário, Executivo e Legislativo. Sem mencionar alguns aspectos das diretrizes econômicas do Estado independente cravado no centro da Itália. É, portanto, um cargo sujeito a pressões de todos os tipos. Algo que pode ter contribuído para a renúncia.
“O Papa vinha enfrentando problemas políticos entre os grupos [da Igreja]. Basta ver no ano passado quando o mordomo vazou documentos secretos. Tudo isso cria um conjunto de fatores políticos sérios que o desgastaram ainda mais na idade dele”, diz o teólogo Rafael Rodrigues da Silva, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Logicamente, isso não vai aparecer de maneira oficial.”
O Vaticano, comenta o desembargador aposentado Walter Mairovitch, colunista de CartaCapital, é notório por guardar bem seus segredos. “No caso do mordomo, há várias notícias de um movimento contrário ao Papa e até um carta com uma ameaça de morte. Houve ainda o escândalo do Banco do Vaticano, em que se viu que o Papa tinha muita dificuldade de impor as regras mínimas da União Europeia contra a lavagem de dinheiro.”