nternacional
Gabriel Bonis
Igreja Católica
11.02.2013 14:47
Pressões políticas podem ter influenciado Bento XVI
O
anúncio da renúncia do Papa Bento XVI nesta segunda-feira 11 causou
surpresa, mas não pode ser considerado um movimento tão inesperado. Em
meio a um mandato marcado por tensões com outros líderes religiosos,
novos casos de pedofilia envolvendo clérigos e a demanda por uma Igreja
Católica mais aberta, Joseph Ratzinger vivia sob constante pressão. Algo
que tornou-se mais evidente em delicados escândalos, como o do mordomo
mandado para a prisão por revelar documentos que deixavam claro o jogo
de poder nos corredores do Vaticano.
Em uma carta, Ratzinger afirma ter refletido repetidamente até
concluir não ter mais “forças, devido à idade avançada (…) para exercer
adequadamente o ministério petrino”. Embora isso não seja novidade, uma
vez que ele assumiu o posto aos 77 anos, em 19 de Abril de 2005, o
pontífice não mencionou nos últimos anos nenhuma doença grave que
poderia afasta-lo de suas funções. Realizou recentemente, inclusive, um
longo discurso a cardeais sem grandes problemas.
É preciso, então, avaliar as forças políticas do Vaticano, um monastério absolutista sobre o qual o Papa tem mandato vitalício e controla sozinho os poderes Judiciário, Executivo e Legislativo. Sem mencionar alguns aspectos das diretrizes econômicas do Estado independente cravado no centro da Itália. É, portanto, um cargo sujeito a pressões de todos os tipos. Algo que pode ter contribuído para a renúncia.
“O Papa vinha enfrentando problemas políticos entre os grupos [da Igreja]. Basta ver no ano passado quando o mordomo vazou documentos secretos. Tudo isso cria um conjunto de fatores políticos sérios que o desgastaram ainda mais na idade dele”, diz o teólogo Rafael Rodrigues da Silva, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Logicamente, isso não vai aparecer de maneira oficial.”
O Vaticano, comenta o desembargador aposentado Walter Mairovitch, colunista de CartaCapital, é notório por guardar bem seus segredos. “No caso do mordomo, há várias notícias de um movimento contrário ao Papa e até um carta com uma ameaça de morte. Houve ainda o escândalo do Banco do Vaticano, em que se viu que o Papa tinha muita dificuldade de impor as regras mínimas da União Europeia contra a lavagem de dinheiro.”

Papa Bento XVI no dia 25 de novembro de 2012 na Basílica de São Pedro. Foto: ©AFP / Vincenzo Pinto
É preciso, então, avaliar as forças políticas do Vaticano, um monastério absolutista sobre o qual o Papa tem mandato vitalício e controla sozinho os poderes Judiciário, Executivo e Legislativo. Sem mencionar alguns aspectos das diretrizes econômicas do Estado independente cravado no centro da Itália. É, portanto, um cargo sujeito a pressões de todos os tipos. Algo que pode ter contribuído para a renúncia.
“O Papa vinha enfrentando problemas políticos entre os grupos [da Igreja]. Basta ver no ano passado quando o mordomo vazou documentos secretos. Tudo isso cria um conjunto de fatores políticos sérios que o desgastaram ainda mais na idade dele”, diz o teólogo Rafael Rodrigues da Silva, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Logicamente, isso não vai aparecer de maneira oficial.”
O Vaticano, comenta o desembargador aposentado Walter Mairovitch, colunista de CartaCapital, é notório por guardar bem seus segredos. “No caso do mordomo, há várias notícias de um movimento contrário ao Papa e até um carta com uma ameaça de morte. Houve ainda o escândalo do Banco do Vaticano, em que se viu que o Papa tinha muita dificuldade de impor as regras mínimas da União Europeia contra a lavagem de dinheiro.”
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