Internacional
Carta Capital
Vaticano
11.02.2013 12:43
“Bento XVI nunca foi o papa da mudança”
Quando Joseph Ratzinger foi proclamado papa Bento XVI, em 2005, estavam evidentes algumas limitações que marcariam a sua missão à frente do Vaticano, entre elas a idade avançada (tinha mais de 75 anos, limite para um bispo se aposentar), a indisposição a grandes viagens e a ausência de apelo midiático sobre as multidões que marcaram o seu antecessor. Estava evidente, sobretudo, que seu pontificado seria de transição, e não de mudanças bruscas, já que durante anos ele foi o mentor intelectual de João Paulo II.A análise é do jornalista Leandro Beguoci, um dos poucos repórteres brasileiros a acompanhar Bento XVI no voo que trouxe o pontífice ao País em 2007. Durante a cobertura, para a Folha de S.Paulo, Beguoci entrou em contato com estudiosos, bispos e interlocutores do Vaticano e se transformou em um dos poucos setoristas em igreja da imprensa nacional. Foi ele, por exemplo, quem descobriu que o cardeal dom Odillo Scherer seria nomeado arcebispo metropolitano de São Paulo naquele ano.
Beguoci pede cautela ao analisar o legado do papa que anunciou a renúncia na segunda-feira 11. Ele lembra que, embora não se esperasse rupturas na condução da Igreja, Bento 16 foi menos conservador que o antecessor em algumas questões pontuais, como, por exemplo, quando nomeou um jesuíta como porta-voz do Vaticano (papel antes delegado a um membro da Opus Dei). Enfrentou também a questão da pedofilia de forma mais clara.
Para o jornalista, o papel de Joseph Ratzinger no pontificado anterior não permite que seja feita uma análise de sua missão à frente da Igreja apenas levando em consideração os últimos sete anos.

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